
"Ao Denatran não cabe homologar determinado produto
ou garantir que ele seja fabricado dentro das normas",
afirma Pedro Nagao, coordenador geral de infra-estrutura
do Departamento Nacional de Trânsito. "Cabe, somente,
exigir que o dispositivo funcione de acordo com o
padrão estabelecido."
Enquanto isso a encrenca fica na mão dos fabricantes,
como atesta Leônidas Melo, diretor de engenharia da
Metagal, sediada no ABC paulista e uma das cinco maiores
produtoras de retrovisores no mundo: "Por enquanto
é questão de responsabilidade de cada um sobre seu
produto".
Nos equipamentos originais a situação é bem menos
preocupante, pois os fabricantes costumam homologar
seus produtos na Europa e Estados Unidos, uma vez
que exportam parte de sua produção. Além disso os
próprios veículos fabricados aqui são igualmente exportados.
Neste caso, se o espelho não for homologado de acordo
com as leis locais, todo o veículo é recusado - daí
a seriedade do negócio quando se trata das montadoras.
Registro - Os espelhos homologados
têm gravado na carcaça número de identificação e registro
(veja foto). Cada espelho serve apenas para determinado
veículo, o que pode ser verificado com simples checagem
deste código. É justamente isso que falta ao espelho
vendido no Brasil.
Estes produtos também superam as normas nacionais
em termos de segurança e desempenho, uma vez
que atendem às legislações européia e estadunidense,
mais adiantadadas do que as em vigor no País.
Com isso os espelhos que equipam veículos nacionais
e os vendidos nas concessionárias estão praticamente
livres do problema. Mas quando a coisa chega ao mercado
de reposição a situação é grave. Gravíssima.
Naturalmente o investimento em segurança e tecnologia
das fabricantes que fornecem às montadoras tem seu
preço. Ocorre que quem produz apenas para reposição
nem sempre - ou quase nunca? - se preocupa com isso.
O que explica o disparate de preços de retrovisores
na reposição. Um mesmo espelho para um caminhão leve,
por exemplo, pode registrar variação altíssima de
preço numa mesma loja.
É claro que muitas vezes o próprio consumidor não
tem consciência de que está adquirindo produto fora
das normas e potencialmente perigoso para ele e para
os outros no trânsito. Assim, quase que por instinto,
acaba levando o que pesa menos no bolso.
Afinal, para muita gente, um espelho retrovisor ainda
é, apenas... um espelho. Mas a imagem refletida nele
nem sempre é a de um trânsito seguro e dentro das
regras.
Fonte: Revista Caminhão &
Cia - Nov/Dez de 2005 - nº5 - Ano I.